Cachaça artesanal busca espaço no exterior

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Cachaça artesanal busca espaço no exterior
Quarta, 18 de Maio de 2005, 11h01
Fonte: Gazeta Mercantil

O grupo pernambucano Souza Leão decidiu inovar o mercado da cachaça artesanal para ampliar exportações. Para isso, a empresa começou a produzir três versões da bebida: premium, ouro e prata. O diretor da marca, Souza Leão, explica que um alambique artesanal pode produzir entre 200 a mil litros por dia.

Pernambuco fabrica anualmente 1 milhão de litros de cachaça artesanal e 100 milhões de litros de cachaça em coluna. O Brasil fabrica 1,8 bilhão de litros por ano. "A cachaça Souza Leão, mantém a tradição de um trabalho totalmente artesanal, que em nada lembra a industrializada, mas que vem conquistando cada vez mais espaço entre os admiradores exigentes e seletos", ressalta o diretor e empresário.

Fabricada em alambiques e em proporções expressivamente inferiores à produzida em colunas industriais pelas grandes empresas do segmento no Nordeste, a cachaça artesanal é feita a partir de cana-de-açúcar selecionada inclusive a partir de critérios de colheita.

A cana não pode ser colhida por meio de queimadas e é submetida a lavagens antes de processada. A cachaça artesanal apresenta um sabor e um odor diferenciados embora com o mesmo teor alcoólico das demais, na média de 40vv (40 volumes ou graus de álcool). O mercado interno e externo apresentam demandas crescentes pelo produto.

Em Pernambuco, existem conhecidos produtores de cachaça em coluna e artesanal. Entre eles destacam-se as Destilaria Sibéria, Engarrafamento Pitu, Decana do Brasil (Aguardente Carvalheira), Dourado Empreendimentos, Delícias da Roça (Aguardente São Saruê), Destilaria São Pedro, Destilaria J.B, Destilaria PAL, Bebidas Veloso (Pinga Nordestina), Companhia Muller de Bebidas (Caninha 51), Destilaria Limeira Nova, BM Agroindustrial e Aldeia Velha (Aguardente Souza Leão).

Entre as marcas artesanais mais conhecidas destacam-se ainda as cachaças Da Serra, Serrote, Triunfo, e Água Doce. Para acompanhar o crescimento da produção e a qualidade da bebida foi criado o Programa Brasileiro para Desenvolvimento da Cachaça (PBDC), que estuda, entre outros aspectos, a implantação de um selo de aprovação.

Longo caminho

Souza leão diz que os produtores comemoram os avanços, mas sabem que o caminho a percorrer é longo. O Brasil produz 1,8 bilhão de litros de cachaça, porém apenas uma pequena fatia segue para o exterior.

A cachaça premium é o carro-chefe da Souza Leão. Ela descansa durante três anos em barris de carvalho dentro de um processo que a torna mais suave e com um leve aroma e sabor amadeirado. A cachaça Ouro também passa por barris de carvalho, mas por apenas um ano. Já a Prata, é a cachaça pura. Ideal para ser consumido com frutas regionais.

"Essa cachaça a qual chamamos de Cristalina é muito utilizada nos mais variados drinques com destaque especial para nossa consagrada caipirinha", explica Roberto Souza Leão. Qualquer uma das versões pode ser degustada na temperatura ambiente, congelada em frezeres ou com pedras de gelo em drinques de frutas regionais.

Mercado mundial

O mercado mundial movimenta US$ 15 bilhões por ano em bebidas, mas o Brasil exporta apenas US$ 8,5 milhões de dólares, considerado pouco se comparado aos US$ 100 milhões da Tequila mexicana e aos US$ 3,8 bilhões de whisky escocês.

A cachaça figura em uma lista do Ministério da Agricultura como um dos cinqüenta produtos com capacidade para dobrar a exportação nos próximos dois anos. A cotação média da cachaça artesanal no mercado internacional está na media de US$ 4 por litro enquanto a cachaça industrial fica por menos de US$ 1 para os importadores da Europa e EUA.

Souza leão assinala que uma boa cachaça, além de não provocar a indesejável ressaca, estimula a circulação e por isso pode ser um bom aperitivo ou um vigoroso digestivo, "numa combinação que encanta os olhos, aguça o paladar e acalenta a alma".

O slogan de marketing da grife Souza Leão é "Cuidadosamente Natural" numa alusão aos padrões de exigência e refinamento com que processam a bebida em seus alambiques. A cachaça nordestina atravessou as fronteiras e hoje é sucesso em muitos países.

Na Alemanha, é a bebida mais lembrada depois da cerveja, e chega a custar o equivalente a R$ 15 a dose. Nos Estados Unidos, a revista "In Style" elegeu a caipirinha feita com o destilado como o drinque mais quente do século. O tradicional coquetel feito de limão, açúcar e cachaça foi incluído na International Bartender Association, órgão que regulamenta as normas da coquetelaria, e já está entre os oito mais pedidos do mundo.

Há também diferenças no consumo. A cachaça industrial é normalmente utilizada para drinques e coquetéis com frutas enquanto a artesanal é consumida in natura tal qual o uísque. Ele vê com entusiasmo a possibilidade de se incrementar as exportações através de programas especiais postos em prática pelo Ministério da Agricultura em parceria com o Sebrae e a APEX - Agência de Programa de Exportação.

A articulação tem por objetivo buscar mercado para a cachaça, visitando feiras e mantendo contato com possíveis países compradores da bebida. O foco da exportação da cachaça está voltado para países como França, Espanha e Alemanha. "Para exportar, a empresa tem que estar regularizada no Ministério da Agricultura e se adequar ao mercado que está recebendo o produto, como tamanho da garrafa, informações no rótulo e teor alcoólico", Roberto Souza Leão.

A cachaça surgiu no tempo da colonização portuguesa no Brasil, nos antigos engenhos de açúcar, onde o refugo da produção era dado aos animais e aos escravos. Estes, por sua vez, deixavam a borra do melaço de cana fermentar por alguns dias e daí se extraía a aguardente. De meados do século 16 à metade do século 17, a produção se multiplicou nos engenhos e a cachaça tornou-se moeda corrente para a compra de escravos na África. Hoje, a fabricação da cachaça, principalmente da artesanal, envolve mandamentos intocáveis e segredos nem sempre revelados.

Fonte: Gazeta Mercantil

Publicado Quarta, 18 de Maio de 2005, 11h01

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